Pertencer

Poem By Juliana Senra

O amor dos outros é ridículo,
Exagerado, banal, forçado,
Inspirado nas canções e nas novelas,
E por isso tão impessoal.
O amor dos outros é lamechas,
Dominador, um desatino.
Coitado de quem ama!
De quem enovela o seu destino
Com o de alguém incerto,
De quem se deixa estar ardendo
Num fogo que escolhe e aceita.

Mas tendo um vislumbre dele,
Um breve esquecimento da razão
Oferecendo domínio ao sentimento,
Não há mais desagrado, mais dúvida
Que te habite, e tudo é límpido e natural.
Já não é mau ser banal e cantar o amor
Ou ter a alegria de esperar reencontros.
O sabor do ar não é o mesmo,
A solidão é uma memória enevoada
E dos teus poros emanas calor e vida,
Nos teus lábios um segredo
Mal escondido.

O amor é o chegar da madrugada,
Que apaga as torturas da noite.
É a luz que vai invadindo a janela
E te alivia do que, na escuridão,
Descobriste com assombro,
Das palavras que te dizes
E a que não queres voltar.
Amor é não as lembrar.

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