Sentido

Poem By Juliana Senra

Quando és dotado de uma certa sensibilidade,
o bruto abanar das árvores não é só vento,
é murmurar segredos;
e até consegues dar pela falta
das coisas que não estão lá
(qualidade rara, vos garanto,
que traz tanto de espanto como de mágoa) .

Quando vês, ouves e percepcionas
com mais do que os enganosos sentidos,
nem o rumo do rio com a sua falsa quietude,
nem as vidas sem rumo por qualquer malfadado acaso
são de todo aleatórias ou motivo de dúvida,
porque tudo se encontra onde não podia deixar de estar.

Quando a imensidão do infinito te atinge,
Só aí, sem querer, tudo será tão cristalino
como a mais pura água que nasce
na mais verdejante montanha,
trilhando incansavelmente o caminho
até ao seu indubitável destino.
Com certeza te digo que também tu chegarás ao mar.

Com estes olhos vejo o destino do mundo.
E, prometo, ele é o único certo de entre todos.

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